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Sexta, 01 de Novembro de 2019.

Em defesa da diversidade humana: Conferência aponta resistências e lutas para a categoria
Programação da manhã de quinta reafirmou a perspectiva crítica e anticapitalista da profissão

Foto da entrada do Ginásio, com a uma placa grande de boas vindas às congressistas, que caminham em direção ao Ginásio

Participantes chegam no Ginásio Nilson Nelson para o segundo dia de evento (foto: Diogo Adjuto/CFESS)

 

A segunda conferência do 16º CBAS, que ocorreu na manhã desta quinta-feira (31/10), debateu o tema “Em defesa da diversidade humana: lutas e resistências contra a exploração e demais formas de dominação e opressão no capitalismo contemporâneo".

 

Mauro Iasi (UFRJ), Silvana Mara de Morais (UFRN) e Cláudia Durans (UFMA) fizeram uma provocante discussão sobre a unidade dos temas de classe, raça, gênero e orientação sexual, apontando para a direção da emancipação humana, em contraposição à dominação e exploração do sistema capitalista.

O professor da UFRJ destacou as recentes mobilizações na América Latina contra governos neoliberais (à exemplo do Chile, Argentina e Equador) como fontes de inspiração para uma reação ao atual governo brasileiro. Afirmou que a emancipação humana pressupõe a superação da ordem capitalista, e isso pressupõe um sujeito, no caso, a classe trabalhadora. A tensão, segundo ele, está na fragmentação dessa classe, que, muitas vezes, está longe de se perceber enquanto classe, resultado da condição (e dominação capitalista). 

 

“Precisamos resolver equação entre luta concreta e meta transformadora”, enfatizou Iasi, alertando que o processo de luta revolucionária não pode desprezar ou se perder nas necessidades concretas de trabalhadores e trabalhadoras. O professor alertou também para as formas de dominação utilizadas pela burguesia, que se apropria do Estado e do aparato repressor para se constituir enquanto classe dominante, e enfatizou a dominação ideológica, que possibilita que em uma país como o Brasil “pessoas irem para a ruas para defender e votam no opressor”.  Por fim, elogiou a categoria de assistentes sociais, ou, em suas próprias palavras, uma “categoria de vanguarda”, que sempre teve uma postura crítica e aguerrida, seja em momentos críticos como a Ditadura Militar ou como o que o Brasil viveu sob os governos marcados pela de conciliação de classes.
 

Foto do palestrante Maurio Iasi, de barba grisalha e óculos, falando para o público

Mauro Iasi: "A emancipação humana pressupõe a superação da ordem capitalista" (foto: Diogo Adjuto/CFESS)

 

Em seguida foi a vez da professora da UFRN Silvana Mara abordar a concepção da diversidade humana com recorte na questão LGBT. Ela pontuou que essa concepção levanta polêmicas no campo das esquerdas, mas que os fundamentos do Projeto Ético-político do Serviço Social  contribuem para apreensão e análise da diversidade humana. “Não partimos de pactos, leis, tratados, concepções essas liberais. Nossa concepção de diversidade humana parte dos indivíduos de carne osso do nosso cotidiano”, explicou.

 

Silvana foi precisa em sua crítica sobre a direita e o conservadorismo, que “buscam homogeneizar os seres humanos” e “exterminar” a diversidade humana. Uma direita que avança contra lutas históricas em defesa do trabalho, da seguridade social, da agenda feminista e de outras bandeiras progressistas. Ao mesmo tempo, alertou para as contradições e limites no campo da esquerda, onde a diversidade humana pode ser “aprisionada num labirinto economicista, político e culturalista”.

 

Para encerrar sua fala, a professora da UFRN fez um resgate das ações político-normativas do Conjunto CFESS-CRESS no âmbito da defesa da diversidade humana, com foco na população LGBT e lembrou da ex-conselheira do CFESS Marylúcia Mesquita, que contribuiu intensamente para a visibilidade dessa pauta no conjunto CFESS-CRESS.

 

Foto da Silvana Mara falando para o público

Silvana Mara de Morais falou sobre a diversidade humana com recorte na questão LGBT (foto: Diogo Adjuto/CFESS)

 

Para fechar a mesa, a professora da UFMA Cláudia Durans falou da diversidade humana a partir da perspectiva étnico-racial. Ela começou relembrando e protestando contra os assassinatos da menina Ághata, de 8 anos, pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, e da vereadora Marielle Franco, reforçando a cor negra de suas peles como uma das razões de suas mortes.

 

“Nós que temos a pele preta somos a resistência e estamos aqui, fazendo história”, ressaltou, destacando a importância da representatividade nas mesas e debates do 16º CBAS. Cláudia fez um resgate da escravidão no Brasil, uma “ideologia para justificar a barbárie”. “Se a gente falar de alienação, podemos falar que o povo sofreu dupla alienação: “do nosso trabalho e dos nossos corpos. Fomos mercadoria, ‘coisificados’, nos tornaram coisa, tentaram tirar nossa humanidade”. Ela ainda falou da questão da mulher negra: “nesse caso, estamos falando de uma tripla alienação”, ressaltando a questão do estupro das mulheres negras. “Passados 130 anos da abolição, que república construímos? Uma igualdade meramente formal”, criticou.
 

Foto de Cláudia Durans, mulher negra que está de braços em frente ao público para reafirmar a resistência do povo negro

Cláudia Durans: "Nós que temos a pele preta somos a resistência e estamos aqui, fazendo história" (foto: Diogo Adjuto/CFESS)

 

Para encerrar as atividades, provocou a categoria a se mobilizar, afirmando que não dá para esperar as eleições de 2022. “Temos que botar Bolsonaro, Mourão e toda essa corja que se apropriou do Estado brasileiro para fora. Merecemos uma experiencia diferente. É o proletariado q vai se levantar, o proletariado feminino, preto, indígena. O capitalismo não responde aos anseios da humanidade. É nossa vida que está em risco”, finalizou.

 

Veja mais fotos do CBAS nesta quinta-feira:
 

Foto de duas mulheres negras no ginásio aplaudindo

Congressistas aplaudiram de pé a Conferência sobre diversidade humana (foto: Rafael Werkema/CFESS)

 

Foto mostra várias congressistas em volta do estande do CFESS buscando os materiais

Ainda na quinta pela manhã, o CFESS distribuiu outras publicações, além do disponível no kit CBAS (foto: Diogo Adjuto/CFESS)

 

Confira tudo sobre o CBAS:

 

Brasília recebe o 16º Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais

 

CFESS lança a Agenda Assistente Social 2020 

 

Assistentes sociais ocupam as ruas de Brasília no 16º CBAS

 

Conselho Federal de Serviço Social - CFESS

Gestão É de batalhas que se vive a vida - 2017/2020
Comissão de Comunicação

Diogo Adjuto - JP-DF 7823
Rafael Werkema - JP-MG 11732
Assessoria de Comunicação

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