Assistentes sociais reafirmam compromisso antirracista no exercício profissional
Data de publicação: 24 de julho de 2026
Fotos: Tito Martins/estagiário sob supervisão
Créditos: Diogo Adjuto
De uma coisa, todo mundo sabe: a maioria de assistentes sociais no Brasil hoje é de mulheres negras. Esse é um dado que consta do “Perfil de Assistentes Sociais no Brasil: formação, condições de trabalho e exercício profissional”, publicação do CFESS (2022). Por isso, neste Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, e Dia Nacional de Tereza de Benguela, o Serviço Social se soma às mobilizações da Articulação de Mulheres Negras Brasileiras e demais entidades na 14ª edição do Julho das Pretas, a maior agenda de incidência política construída por mulheres negras no Brasil e na América Latina.
Com o tema “Seguimos em Marcha por Reparação e Bem Viver”, esta é a primeira edição do Julho das Pretas após a Marcha Global das Mulheres Negras por Reparação e Bem Viver, que reuniu milhares de mulheres de 40 países, em Brasília (DF), em novembro de 2025, com a participação também do CFESS. As programações completas da 14ª edição do Julho das Pretas e do Julho das Pretas nas Escolas podem ser acompanhadas pelo Instagram @julho_das_pretas ou clicando aqui.
A categoria de assistentes sociais atua para incorporar a luta antirracista no trabalho profissional. O enfrentamento ao preconceito é princípio do Código de Ética da(o) Assistente Social e profissionais do Serviço Social, além de terem uma maioria de mulheres negras, também atendem essa parcela da população nos diversos equipamentos e locais de acesso às políticas sociais.
Dados são graves
O 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2025) apontou que mulheres negras representam entre 62,6% e 64% das vítimas de feminicídio no Brasil. O documento indicou que a violência de gênero e o racismo estrutural expõem essa população a riscos desproporcionais. Isso traz grandes desafios para as políticas sociais e para o trabalho de assistentes sociais na garantia de direitos para essas mulheres.
Para subsidiar a categoria de assistentes sociais, o CFESS disponibiliza no site uma série de publicações, notas técnicas, edições do informativo “CFESS Manifesta”, que instrumentalizam as(os) profissionais para uma atuação profissional comprometida com a luta antirracista.
Clique aqui e confira livros e brochuras
Clique e veja edições do “CFESS Manifesta”
Clique para conhecer as Notas Técnicas
Conheça a Resolução CFESS nº 1.054/2023, que estabelece normas vedando condutas de DISCRIMINAÇÃO E/OU PRECONCEITO ÉTNICO-RACIAL no exercício profissional do(a) assistente social
O Julho das Pretas
Falar do Julho das Pretas é falar sobre o que significa ser mulher negra no Brasil, onde racismo, misoginia e sexismo se articulam e produzem múltiplas formas de violência e exclusão. É o que afirma a assistente social Liliane Caetano, coordenadora da Comissão de Ética e Direitos Humanos do CFESS. Segundo ela, não por acaso, as mulheres negras seguem ocupando a base da pirâmide social, expressando as profundas desigualdades produzidas por esse sistema de exploração e opressões.
“Essa presença coletiva enfrenta a histórica invisibilização das contribuições e do legado de mulheres negras, fundamentais para a construção deste país. É um chamado à memória, em que aprendemos, reconhecemos e valorizamos os passos de quem veio antes, reafirmando que suas trajetórias seguem inspirando as lutas do presente”, reflete Liliane.
Nesse contexto, ela acrescenta, é inegociável que assistentes sociais decifrem, cotidianamente, os mecanismos de manutenção do racismo e do patriarcado, reconhecendo e enfrentando as desigualdades que se manifestam no acesso às políticas públicas e na garantia de direitos.
“Essa luta está em consonância com o projeto ético-político do Serviço Social, ao reafirmar o compromisso com a defesa dos direitos humanos, da justiça social e da construção de um novo pacto civilizatório”, completa a conselheira do CFESS.
Participe das atividades dos CRESS
Os Conselhos Regionais também participam de atividades organizadas por diversos movimentos sociais e promovem atividades nesta e na próxima semana. O CRESS-CE realizará, no dia 24 de julho, às 17h30, a roda de conversa com o tema "O compromisso ético-político do Serviço Social na luta antirracista: caminhos para a reparação e a construção do bem viver das mulheres negras", como parte dos debates no Julho das Pretas.
Também o CRESS-MA promoverá uma reunião ampliada para debater o tema "Mulheres Negras, Direitos e Territórios: até que todas sejamos livres" no dia 29 de julho.
O CRESS-BA fará uma live no dia 28 de julho, organizada pela Comissão de Gênero, Raça e Etnia.
Acesse as redes sociais ou procure o seu CRESS e saiba como participar!