Sexta, 24 de Maio de 2013.
Serviço Social, memórias e resistências contra a ditadura militar
CFESS lança projeto para reunir depoimentos de assistentes sociais que sofreram violações de direitos no período de 1964 a 1988
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Ilustração reúne recortes de imagens do período da ditadura e o selo Serviço Social, memórias e resistências contra a ditadura militar

(arte: Rafael Werkema/CFESS)

 

“O uso da violência política permitiu ao regime construir um Estado sem limites repressivos. Fez da tortura força motriz da repressão no Brasil. E levou a uma política sistemática de assassinatos, desaparecimentos e sequestros”. Este é apenas um trecho do relatório de um ano de trabalho da Comissão Nacional da Verdade (CNV),divulgado no último dia 21 de maio de 2013. A CNV foi criada pela Lei 12.528/2011 e instituída em 16 de maio de 2012, com a finalidade de apurar graves violações de direitos humanos ocorridas no período da Ditadura Militar.

 

Durante os anos de repressão, vários sujeitos, numa histórica trajetória de lutas sociais, sofreram tortura e morreram em defesa da liberdade, da justiça social e da revolução. Muitos ainda estão desaparecidos. Por isso, resgatar essa história é necessário, não só para que não se percam as conquistas frutos dessas muitas lutas e resistências, mas também para a mudança do presente e do futuro.

 

Por esse motivo, o CFESS lança neste mês de maio de 2013 o projeto “Serviço Social, memórias e resistências contra a Ditadura Militar”, que vai retirar do anonimato e coletar depoimentos de assistentes sociais que vivenciaram histórias de violações de direitos em função da Ditadura.

 

Resultado das deliberações do eixo Ética e Direitos Humanos do 41º Nacional CFESS-CRESS, e impulsionado pela Campanha de Gestão (2011-2014) “Sem movimento não há liberdade”, o projeto tem como uma de suas finalidades a organização dos depoimentos de assistentes sociais em um livro, que será entregue à Comissão Nacional da Verdade, em 2014.

 

“Contribuir para a ruptura do anonimato e da invisibilidade das pessoas que vivenciaram as inúmeras facetas da desigualdade e da opressão é uma necessidade histórica em tempo de luta e resistência. O Serviço Social pode contribuir muito para a denúncia e registro da memória histórico-crítica às gerações que não vivenciaram o terror, a dor e a profunda violação de direitos humanos que foi o período da Ditadura”, afirma a coordenadora da Comissão de Ética e Direitos Humanos do CFESS (CEDH), Marylucia Mesquita. Para o conselheiro da CEDH Maurílio Matos, “Serviço Social, memórias e resistências contra a Ditadura Militar”contribuirá para que não só a categoria e estudantes de Serviço Social, mas toda a sociedade conheça assistentes sociais que lutaram pela liberdade e democracia no país. “Nosso valores e princípios que orientam nosso Código de Ética são resultados desses movimentos emancipatórios”, completa.

 

Outro ponto interessante do projeto é que este reunirá, nesta página, dicas de livros e vídeos que abordem o tema.

 

Como participar

Se você é assistente social, vivenciou o período da Ditadura Militar (1964-1988) e sofreu violações de direitos em decorrência do momento político do país, veja como participar:

 

Passo 1
Clique aqui e faça o download do formulário de depoimento e denúncia do projeto “Serviço Social, memórias e resistências contra a Ditadura Militar”

 

Passo 2 
Preencha-o respondendo, em até 6 laudas (15 mil caracteres), as seguintes questões:

 

  1. Nome completo:
  2. Universidade em que estudou:
  3. Que tipo(s) de violência(s) sofreu?
  4. Como aconteceu? Onde? Quando? (descreva o fato)
  5. À época, participava de algum movimento ou partido de resistência? Qual?
  6. Chegou a ser preso(a), exilado(a), demitido(a) ou perseguido(a)?
  7. Se sim, sob qual alegação?
  8. Cumpriu pena? Onde?
  9. Você denunciou os fatos e violações ocorridas? Para quem?
  10. Buscou a Justiça para ser reparado(a)?
  11. Recebe alguma reparação do Estado? Espera receber?
  12. Como as violações rebateram em seu cotidiano profissional?
  13. Deixe uma mensagem para estudantes de serviço social e assistentes sociais que não vivenciaram o período da Ditadura, abordando a importância de se resgatar a memória da luta contra o Regime Militar.

 

Passo 3
Salve o arquivo e envie para o e-mail memoriaeresistencia@cfess.org.br

 

Passo 4
Se tiver interesse, envie também fotos e outros documentos que registrem o momento histórico que vivenciou.

 

Para saber mais

- Comissão Nacional da Verdade - http://www.cnv.gov.br/

- Direito à Memória e à Verdade - Luta,  Substantivo Feminino – Mulheres torturadas, desaparecidas e mortas na resistência à ditadura. MERLINO, Tatiana. São Paulo: Editora Caros Amigos, 2010. (SDH e Caros Amigos Editora).

- Pela democracia, contra o arbítrio – A oposição democrática, do golpe de 1964 à campanha das Diretas Já./ [organização de] Flamarion Maués, Zilah Wendel Abramo. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo., 2006. 480 p.: II.

- Onde está meu filho? Chico de Assis... [et al.]. – Recife: Cepe, 2011. Companhia Editora de Pernambuco.

 

Selo Serviço Social, memórias e resistências contra a Ditadura Militar

(arte: Rafael Werkema/CFESS)

 

 

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