Sexta, 26 de Abril de 2013.
Movimentos sociais e entidades gritam por liberdade
Tribuna Livre demarca mais um momento importante da campanha em defesa dos direitos humanos Sem movimento não há liberdade
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Foto da arte da campanha Sem movimento não há liberdade

Arte da campanha Sem Movimento Não Há Liberdade

 

Um grito de liberdade. A frase pode resumir o sentimento que tomou conta da Tribuna Livre organizada pelo Conselho Federal na última quinta-feira (25/4), na Universidade de Brasília (DF), para mais um momento da campanha Sem movimento não há liberdade, do Conjunto CFESS-CRESS.

 

Reunindo diversos movimentos sociais e entidades, o ato político simbolizou a adesão desses sujeitos à campanha, lançada no dia 10 de dezembro de 2012, Dia Internacional dos Direitos Humanos.

 

Mas para além disso, a Tribuna Livre significou um espaço de denúncia das violações de direitos e de histórias de resistência contra a opressão e a discriminação.

 

Você vai ler abaixo trechos dos depoimentos de representantes de movimentos sociais e de entidades que subiram à Tribuna Livre para darem o seu grito de que “sem movimento não há liberdade”!

 

Sâmya Ramos, presidente do CFESS
“Esta campanha em defesa dos direitos humanos não teria sentido se não possibilitássemos um espaço como este: de abrir o microfone à manifestação dos movimentos sociais. Estes sujeitos que estão aqui hoje e que lutam cotidianamente por um novo projeto de sociedade, livre e emancipada, têm muito que dizer. Estamos aqui ao lado de movimentos que se colocam no campo da esquerda, para potencializar a luta contra a desigualdade e a negação de direitos”.

 

Marina Barbosa, do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN)
“Esta é uma campanha que mostra a ousadia de uma profissão que busca uma transformação estrutural da sociedade. A Educação do país vem sendo violentada. O Brasil adota uma política para área que reitera a desigualdade, que trata a Educação como mercadoria. Nesse sentido, reafirmamos nosso compromisso de luta por uma Educação pública, presencial, laica e de qualidade”.

 

Moacir Lopes, da Federação Nacional de Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps)
“Temos vivido tentativas frequentes de redução dos nossos direitos no âmbito da Previdência e da Assistência Social. Por isso, a articulação entre as entidades (Fenasps e CFESS) é fundamental. Haja vista, por exemplo, a defesa do Serviço Social no INSS. Esta não é uma luta corporativista, mas a defesa dos direitos da população”.

 

Atnágoras Lopes, da Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas)
“Vivemos hoje uma ditadura imposta em cada fábrica, em cada escola. Em Altamira, que sofre com as obras de Belo Monte, trabalhadores e trabalhadoras têm seus direitos violados. E não estamos falando só de direitos trabalhistas não, mas também de direitos humanos. As pessoas que trabalham lá vivem sob regime de toque de recolher, sob a ameaça, repressão e violência da guarda do consórcio Belo Monte, da polícia do Pará e da Força Nacional. Há demissões em massas. Vivemos um Estado em que suas leis protegem quem está no poder. A liberdade que desejamos só será conseguida com o socialismo. Por isso, a campanha é acertada, porque é também uma luta anticapitalista”.

 

Montagem com fotos da Sâmya, Marina, Moacir e Atnágoras

Sâmya Ramos (CFESS), Marina Barbosa (Andes-SN), Moacir Lopes (Fenasps) e Atnágoras Gomes (CSP-Conlutas) (Fotos: Rafael Werkema/CFESS) 

 

Cléber Buzatto, do Conselho Indigenista Missionário (CIMI)
“A questão indígena hoje está voltada, principalmente, à questão territorial, alvo de disputa dos setores econômicos, principalmente o agronegócio. Os povos indígenas, mais do que nunca, estão sendo violados em seus direitos. O agronegócio está impedindo a demarcação de terras indígenas; feito com que procedimentos de demarcação já finalizados sejam revistos; e incentivando fazendeiros a invadirem terras indígenas. E a situação pode piorar: tramitam no Congresso Nacional projetos  como a PEC 215, que transfere para a Casa, que possui uma bancada ruralista, a responsabilidade de demarcação das terras; ou o Decreto 7957, que permite a repressão de manifestações contrárias a projetos do governo brasileiro”.

 

Paulino Montejo, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB)
“Sem movimento não há liberdade. E sem liberdade, não há movimento. Os direitos da Constituição Federal estão sendo rasgados no Congresso Nacional, que conta com a ajuda do Executivo e do Judiciário. As populações indígenas foram traídas e lesadas. O que nos resta é a nossa mobilização. É a luta na unidade da diversidade. O sonho não pode acabar. Mas sozinhos não vamos conseguir. Precisamos de aliados”.

 

Maria Regina de Ávila, presidente da ABEPSS
“Os maiores avanços no campo social só foram possíveis com as lutas sociais. O capital sabe disso. Por isso, querem nos criminalizar. A ABEPSS e o CFESS têm se colocado no campo de disputa política. É ousado e necessário defendermos que Sem movimento não há liberdade. É ousado e necessário dizer que Educação não é fast-food. É nosso desafio na formação. Porque somos contra a lógica do capital, que prioriza o mercado. Estamos sofrendo todo tipo de ataque. O caso da companheira Bia Abramides, que corre o risco de ser demitida da PUC-SP, é uma prova disso ”.

 

Telma Gurgel, do Movimento Feminista
“O patriarcado se articula com o capitalismo na manutenção de uma ordem que viola todos os direitos das mulheres. Do seu direito de ir e vir à utilização econômica do seu corpo. Em Altamira, na construção de Belo Monte, temos denúncias de que caminhões de mulheres estão chegando à cidade para serem ofertadas. É o corpo da mulher como mercadoria. Por isso, estamos em todas as lutas. Estamos na ponta da divisão social do trabalho. Atenção, movimentos de esquerda: não existe socialismo sem feminismo!”.

 

Montagem com as fotos de Cláber, Paulino, Maria Regina e TelmaCléber Buzatto (Cimi), Paulino Montejo (Apib), Maria Regina (ABEPSS) e Telma Gurgel (Movimento Feminista)

 

Ivanete Boschetti, do departamento de Serviço Social da UnB
“Esta é uma campanha de uma profissão que defende não a liberdade burguesa, mas a liberdade plena, que só é possível numa outra ordem societária. O direcionamento político da nossa profissão deve ser libertário. A sociedade vive um forte conservadorismo e a liberdade está sendo subtraída. Ontem, quatro estudantes foram detidos pela Polícia Legislativa do Congresso Nacional por exercerem sua liberdade. Que Casa é essa que se diz do povo, mas que o povo não entra? Que Congresso é esse que retira direitos da população?”.

 

Antônia Cardoso Abreu, do Movimento de População de Rua do Distrito Federal
“Se a gente não pega no microfone não há liberdade! Estou aqui representando uma população oprimida. Um povo que grita por justiça. Aqui em Brasília, famílias que viviam em áreas públicas foram retiradas e presas, sob a alegação de que cometiam crimes ao meio ambiente. Catadores e catadoras de material reciclado, que tiram o sustento de suas famílias das ruas, estão tendo que responder à Justiça por tentarem sobreviver. Nosso movimento nasceu do luto. Representa pessoas que sequer são contabilizadas pelo IBGE. Seres humanos que são diariamente assassinados por sua condição de viverem nas ruas. Mas eu garanto: para cada gota de sangue derramada, é mais uma militante, como eu, na luta contra a opressão!”.

 

Jacira da Silva, do Movimento Negro Unificado do Distrito Federal
“A desigualdadenopaís tem endereço, cor e gênero. Entretanto, a mídia, dominada por grupos conservadores da sociedade, não dá visibilidade a isso. Temos enfrentado muitos ‘Felicianos’. Estamos falando de uma população de maioria negra. E que precisa de cotas sociais e raciais para reparar uma violação de direitos histórica”.

 

Morena Marques, da Frente Nacional contra a Privatização da Saúde
“A saúde pública do Brasil está sendo violentada. Querem privatizar nosso Sistema Único de Saúde. A luta da Frente, que conta com o apoio do CFESS, é contra a criação das Organizações Sociais, é contra a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH). O que o governo brasileiro tem feito à área é um crime. A sociedade brasileira está dizendo não à privatização da Saúde. Queremos um SUS 100% público, estatal e de qualidade”.

 

Montagem com fotos de Ivanete, Antônia, Jacira e MorenaIvanete Boschetti (UnB), Antônia Cardoso(MNPR), Jacira da Silva (MNU-DF) e Morena Marques (Frente)

 

Rayane Noronha, do movimento LGBT Coturno de Vênus
Este espaço é fundamental para o movimento LGBT. Estamos cotidianamente combatendo a homofobia, que está impregnada em todos os espaços. A população LGBT necessita de atenção especial. No âmbito do movimento lésbico, lutamos por um atendimento de qualidade. Estamos falando de equipes que sequer reconhecem que uma mulher pode se relacionar com outra. Não há preservativos adaptados para o nosso corpo, para a relação homoafetiva entre as mulheres. Aproveito para convidar vocês para a Marcha contra a homofobia, em Brasília, no dia 15 de maio!”

 

Francine Helfreich Coutinho dos Santos, conselheira do CRESS-RJ
“Esta é uma campanha do Conjunto CFESS-CRESS e por isso apoiamos esta iniciativa. O Rio de Janeiro vem sendo alvo de inúmeras violações de direitos. Criminalização dos movimentos sociais, militarização dos espaços populares (como a instalação das‘Unidades Pacificadoras’, chamadas de UPP, nas comunidades mais pobres), a ‘higienização’ da cidade com as internações compulsórias. E assistentes sociais têm feito parte desse processo, por pressão do Governo ou por vontade própria. Estamos vivenciando remoções de comunidades inteiras para privilegiar o empresariado, principalmente nesse momento de preparação para a Copa do Mundo e para os Jogos Olímpicos. Assim, é fundamental que o Conjunto CFESS-CRESS se fortaleça e continue nas ruas, combatendo todas essas violações”.

 

Wilton Alexandre, do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Distrito Federal (Cedeca)
“Nossas crianças e adolescentes têm sofrido cada vez mais ataques. E não estamos falando só da violência física sofrida por essas pessoas, mas da tentativa de setores fundamentalistas de destruir o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) fazendo lobby, por exemplo, para a redução da maioridade penal. O próprio Cedeca tem sofrido ameaças. Nos Centros de Atendimento Juvenil Especializado (Cajes), vivenciamos um processo de extermínio de jovens negros. E quando se fala em crianças, a sociedade insiste em achar que são iguais. A criança é negra. A criança é indígena. A criança precisa entender o que é diversidade. Esse é o trabalho que temos feito”.

 

Ramona Carlos, representante do CFESS na Frente Nacional de Drogas e Direitos Humanos
“Sem movimento não há liberdade. Por isso estamos com a Frente Nacional Drogas e Direitos Humanos. Porque lutamos por políticas públicas de drogas baseadas nos direitos humanos, no respeito aos princípios do SUS. Essa onda em defesa da internação compulsória, que se baseia na repressão policial e  em ações higienizadoras e criminalizadoras da pobreza, tem recebido apoio do Congresso nacional e do próprio Estado, que deveria garantir os direitos da população. E quem ganha com esse tipo de intervenção?  São as comunidades terapêuticas, é o empresariado da saúde!”.

 

Esther Lemos, representante do CFESS no Fórum de Trabalhadores e Trabalhadoras do Sistema Único de Assistência Social (SUAS)
“A participação do Conjunto CFESS-CRESS nos Fóruns Nacional e Estaduais de trabalhadores e Trabalhadoras do SUAS demonstra a luta da profissão na implementação da Política de Assistência Social. Essa articulação, sem dúvida, amplia a rede de defesa do SUAS. Sem movimento não há liberdade. Sem o movimento da categoria, não há como garantir direito social”.

 

Montagem com fotos de Rayane, Francine, Wilton, Ramona e EstherRayane dos Santos (Movimento LGBT), Francine Helfreich (CRESS-RJ), Wilton Alexandre (Cedeca), Ramona Carlos (Frente) e Esther Lemos (FNTSUAS) 

 

Números da campanha

Desde que o hotsite Sem Movimento Não Há Liberdade foi lançado, em dezembro de 2012, quase dez mil pessoas visitaram a página da campanha. Foram publicadas quase 200 matérias sobre direitos indígenas, direitos da mulher, direito da classe trabalhadora, pessoas em situação de rua, reforma agrária, direitos LGBT, dentre outros.

 

No Facebook, a base de pessoas que curtem a página do CFESS aumentou em 10 mil, totalizando hoje 25 mil seguidores e seguidoras.

 

Além das peças gráficas e do spot, lançados no ano passado, a campanha terá também um vídeo para internet, que deve começar a circular em junho.

 

E em breve, a carta de adesão será disponibilizada virtualmente, para que movimentos sociais, entidades e pessoas possam, simbolicamente, mostrar que aderiram e que apoiam a campanha. 

 

Foto do público presente na UnBPúblico acompanha depoimentos dos movimentos sociais

 

 

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