Quarta, 06 de Julho de 2011.
Área da Saúde é contra a graduação à distância
Em relatório, Fórum dos conselhos federais marca posicionamento
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"A área da saúde, pelas suas peculiaridades e características de integração com o ser humano, não se identifica com a modalidade de ensino à distância". Este trecho foi extraído do relatório final do 1º Seminário de EaD da Área da Saúde, realizado em março de 2011, pelo Fórum dos Conselhos Federais da Área da Saúde (FCFAS ou Conselhinho), que representa os quatorze Conselhos da Área: Biomedicina, Biologia, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Medicina, Medicina Veterinária, Nutricionistas, Psicologia, Odontologia, Serviço Social e Técnicos em Radiologia.

O documento reforça ainda mais a campanha "Educação não é fast-food", lançada em maio pelo Conjunto CFESS-CRESS, ABEPSS e ENESSO com apoio do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES – SN).

De acordo com o relatório, assinado pelos Conselhos Federais, o resultado das discussões realizadas no Seminário consolidou uma "unidade de posicionamento contrária à implementação de cursos de graduação à distância na área da saúde. Esse posicionamento foi formulado para assegurar uma educação superior de qualidade na área, caracterizada por um processo formativo voltado para os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) e para a indissociabilidade de ensino pesquisa e extensão".

O material traz também, de forma objetiva, argumentos que comprovam a incompatibilidade entre a graduação à distância e as profissões da área da saúde.

"As Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos da área da Saúde estabelecem atividades práticas desde o inicio da formação, visando a construção de aproximações e aprofundamento diante dos problemas concretos da realidade. Enfatizou-se que a formação em saúde está centrada no cuidado com o ser humano. Logo, questionou-se como desenvolver este lado humanístico e profissional à distância? Na EaD, os conteúdos práticos profissionais sem relação com o paciente e distante das necessidades de saúde perdem o sentido. Como ensinar um procedimento cirúrgico e todas as possíveis reações do paciente à distância? Como ensinar as práticas de serviço em saúde sem estar junto ao estudante? Tais questões suscitaram preocupações e temor o que mobilizou o grupo a não aceitar esta modalidade do ensino para as profissões da área da saúde", diz outro trecho do relatório.


O documento reforça ainda mais a campanha "Educação não é fast-food" (2011 | metaracomunicacao.com.br | foto estúdio faya) 

Graduação à distância: democratização ou mercantilização?
Na análise feita pelos Conselhos Federais sobre os dados do Ministério da Educação (MEC) acerca da distribuição dos pólos de EaD, que apontaram para a prevalência dos mesmos no litoral brasileiro e no centro-sul do Brasil, tal situação é conflitante. Isso porque mostra que o EaD chega menos nas regiões de pouca oferta de cursos presenciais. "A menor demanda de cursos de EAD é nas regiões em que, teoricamente, existe maior necessidade, como na região Norte. Nas regiões apresentadas já existe uma densidade elevada de cursos presenciais, descaracterizando a necessidade social para o ensino de EAD e estimulando uma competição autofágica entre as Instituições de Ensino Superior (IES), onde há saturação de profissionais e grandes dificuldades de absorção no mercado de trabalho".

Ainda de acordo com o relatório do FCFAS, os Conselhos de Regulamentação, como órgãos normativos e fiscalizadores do exercício profissional, sentem-se responsáveis pela orientação de formação profissional de qualidade para a sociedade brasileira.

Para a presidente do CFESS, Sâmya Rodrigues Ramos, o relatório comprova que a preocupação em relação à formação profissional não é só do CFESS, mas de outros Conselhos de profissões da Saúde, afirmando a assertividade da campanha "Educação não é fast-food". "A questão é a política brasileira de educação, mercantilizada e discriminatória. Queremos que todos/as tenham acesso à universidade, mas que esta universidade seja presencial, pública, laica e gratuita. É essa a educação que defendemos", completou.

Leia o relatório completo

Um pouco do que foi o Seminário
O 1º Seminário de EaD da Área da Saúde aconteceu nos dias 30 e 31 de março de 2011, em Brasília (DF), e reuniu cerca de 60 representantes dos quatorze  conselhos federais da área da saúde, além de integrantes da Secretaria de Regulação e Supervisão em Educação à Distância do MEC e da Coordenação Geral da Educação à Distância da Escola Nacional de Saúde Pública.

Entre os temas abordados, estiveram "Panorama e Perspectivas do EaD no Brasil", "Bases Conceituais do EaD" e "Potencialidades e Fragilidades do EaD". Este último foi apresentado por representantes dos Conselhos de Enfermagem e Medicina, além da ex-presidente do CFESS, Ivanete Boschetti, que falou do EaD no âmbito da garduação em Serviço Social.

Para se ter uma ideia, na modalidade EaD, o Serviço Social é o terceiro curso mais ofertado no país, ficando atrás apenas da Pedagogia e Administração. Na área da saúde, é o mais procurado na graduação à distância.

Campanha "Educação fast-food" ganha força
Depois de a campanha "Educação não é Fast-food" escancarar os problemas da graduação à distância e sua incompatibilidade com o Serviço Social, ela agora parte para uma nova etapa, que é a de denunciar ao MEC as inúmeras irregularidades do EaD e, principalmente, cobrar do Estado educação pública, presencial, laica e de qualidade. "Provocamos o debate e diversos setores começam a se manifestar. Estamos abertos ao diálogo, mas mantendo nosso posicionamento crítico frente à política de educação do país", afirmou Sâmya.


Hotsite da campanha agora cria canal direto com o MEC

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