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Quarta, 16 de Junho de 2021.

Conselho Pleno do CFESS recebe a assistente social e professora Ana Elizabete Mota
Debate foi sobre os desafios da atuação profissional na pandemia e a conjuntura brasileira

Imagem da professora Ana Elizabete Mota, durante debate com a gestão do CFESS, por meio virtual, mostrada em um quadro, com fundo colorido laranja.Debate ocorreu por meio virtual (reprodução da imagem do vídeo)

 

“É preciso identificar novas mediações na atuação profissional em meio à pandemia da Covid-19 e refletirmos sobre o perigo do descolamento da profissão da realidade objetiva. Surge a imperativa necessidade de fortalecer a relação entre o exercício e a produção do conhecimento no Serviço Social”. Quem afirma é a assistente social e professora do programa de pós-graduação em Serviço Social da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Ana Elizabete Mota, que debateu com a gestão do CFESS na última terça-feira (8), o tema "Trabalho profissional no atual contexto: caminhos para o debate da seguridade social".

 

A atividade antecedeu o Conselho Pleno do CFESS, realizado de 10 a 13 de junho, por meio virtual. Um ponto inicial abordado pela docente foram as demandas ao Serviço Social, que se relacionam com o contexto atual e têm rebatimentos diretos na atuação profissional.

 

“Vivemos uma crise, de âmbito social, econômica, politica e sanitária. Ela é aprofundada com a pandemia, com consequências para a saúde da população, resultando em genocídio, em luto, que toma conta de todos nós. Uma crise que vem no leito da corrosão de conquistas civilizatórias para a população brasileira, a partir de privatizações, contrarreformas, supressão de direitos, negação da emergência social”, analisa Elizabete Mota, mostrando a realidade em que se encontra o país.

 

Para dar exemplos concretos, a professora da UFPE citou: os retrocessos se materializam em negação de medicamentos nos locais públicos de distribuição, negação da vacina contra a covid-19, regressão do auxílio-emergencial (numa nítida desassistência do Estado com a população que necessita), o crescimento do setor médico privado, a expansão das fronteiras para o agronegócio, dentre outros exemplos.

 

“Esse processo nega as necessidades essenciais, para suprir as necessidades do capital, o que se reflete diretamente na pobreza, no aprofundamento da desigualdade social brasileira, no abandono humano-social das classes subalternas, com as quais assistentes sociais se defrontam diariamente”, explica Mota.

 

Mais rebatimentos na profissão

 

Durante o debate, um ponto levantado pela professora foi o avanço do conservadorismo reacionário que se instalou na sociedade brasileira e também em parte da categoria de assistentes sociais. Segundo Ana Elizabete Mota, os argumentos que sustentam esse avanço são de cunho fascista, preconceituoso e isso tem aderência no senso comum, devido à histórica formação social do país.

 

“Nessa direção, vemos defesas como a do uso de armas para enfrentamento da violência; o chamado tratamento precoce contra a Covid-19; a demonização do marxismo e da esquerda, bem como os inequívocos argumentos sobre o tamanho do Estado. Tudo isso com argumentos falaciosos e divulgado de forma sistêmica por meio das mídias sociais, com as fake news”, afirma a professora da UFPE.

 

Além disso, destaca Mota, o Brasil verifica uma desassistência também das políticas de previdência e de assistência social, cenário que afeta o Serviço Social, com demandas indevidas à categoria, contratações precárias, supressão de direitos e baixos salários.  Ela destaca ainda que, especialmente com a pandemia, as incidências no mundo do trabalho afetam as condições e relações de trabalho dos assistentes sociais, justamente por alterarem as políticas sociais e, consequentemente, as rotinas de trabalho, as relações interpessoais e a própria vida privada dos/as profissionais.

 

“O que verificamos é a padronização de rotinas e protocolos, resultando em atividades que podem subtrair a relativa autonomia técnico-politica da profissão. Com isso, amplia-se a submissão dos/as profissionais à produtividade e rentabilidade dos serviços prestados, resultado da avidez capitalista, que avança na terceirização, na desresponsabilização, na transferência de serviços, que eram realizados por servidores/as públicos/as e passaram a ser oferecidos por prestadores pontuais de serviços”, completa Ana Elizabete Mota.

 

E acrescenta: “o desafio que temos é resistir ao voluntarismo que avança com intensidade nas políticas sociais, para que não se perca a dimensão formativa e pedagógica da nossa profissão, que não se adequa a respostas e protocolos padronizados!”.
 

O CFESS entende que o debate sobre a profissão no atual cenário político-econômico é imprescindível, para contextualizar as demandas profissionais dirigidas ao Conselho Federal, fundamentando diálogos vindouros com a categoria profissional.

 

Você conhece o Conselho Pleno do CFESS?


O Conselho Pleno é uma reunião de caráter deliberativo que o CFESS realiza, e ela determina as ações, planos e projetos da entidade, bem como pode realizar também julgamento de recursos éticos, de acordo com o Estatuto do Conjunto CFESS-CRESS.

 

Nesta edição, de 10 a 13 de junho, a diretoria do Conselho Federal tratou de diversos assuntos, como questões referentes às alterações no Benefício de Prestação Continuada; o Seminário sobre Criança e Adolescente; a Conferência Nacional de Assistência Social; as próximas ações em defesa da efetivação da Lei 13.935/19 (conhecida como Lei da Educação); bem como questões administrativas e jurídicas do CFESS.

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Conselho Federal de Serviço Social - CFESS

Gestão Melhor ir à luta com raça e classe em defesa do Serviço Social - 2020/2023
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