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Quinta, 31 de Outubro de 2019.

Brasília recebe o 16º Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais
Com quase 5 mil participantes, evento é o maior da história

 

Foto do palco no ginásio Nilson Nelson. Uma mesa com representantes das entidades organizadoras, o cerimonial à esquerda e ao fundo uma grande tela com a arte do evento, uma ilustração que reproduz o ginásio com a árvore do Código de Ética no topo

Cerimônia e mesa de abertura do 16º CBAS (fotos: Rafael Werkema/CFESS)

 

O maior Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais (CBAS) começou nesta quarta-feira (30) em Brasília (DF) e segue até domingo (3). Com quase 5 mil participantes, dentre assistentes sociais e estudantes, a 16ª edição do evento trouxe, no primeiro dia, a conferência 40 anos da “virada” do Serviço Social no Brasil: historia,  atualidade e seus desafios!, com as professoras Marilda Iamamoto e Ivanete Boschetti. Quem não participou nem assistiu online pode ver a filmagem do primeiro dia nos canais do CFESS no YouTube (acesse aqui) e no Facebook (veja aqui).

 

A conferência foi antecedida pela mesa de abertura do evento, composta pelas entidades realizadoras: CFESS, CRESS-DF, Abepss e Enesso. Esta última foi representada pela estudante de Serviço Social Larissa Jesus, que frisou a importância de estudantes no processo de luta e resistência contra a precarização da formação, o corte de recursos da política de educação e as mobilizações nas ruas, convidando os/as estudantes presentes a conhecerem e participarem das atividades da Executiva.

 

A presidente da Abepss, Esther Lemos, falou em seguida, destacando que, apesar da conjuntura de retrocessos vivida pelo Brasil, países vizinhos têm mostrado que a resistência e a disposição para enfrentar o projeto neoliberal está viva, a exemplo das recentes manifestações no Chile, Equador e as eleições na Argentina. “Este CBAS é um momento privilegiado de educação permanente, de renovação da luta contra os desmontes de direitos, contra a classe trabalhadora, contra o genocídio da população indígena e negra, na direção do livre exercício do pensamento e produção do conhecimento”, afirmou Esther.

 

Parte do setor superior do ginásio Nilson Nelson foi ocupada. Cerca de 5 mil pessoas participaram da Conferência de abertura

 

Para Rafaella Câmara, presidente do CRESS-DF, “da capital federal, não saem apenas as decisões que têm apavorado a classe trabalhadora do país, mas também saem a resistência e o enfrentamento de trabalhadores/as que não hesitam em ir pras ruas defender conquistas. “O 16º CBAS é mais um espaço, onde se reúnem assistentes sociais que permanecerão unidos/as e resistindo à precarização das condições de trabalho, aos baixos salários e todos os desmontes do governo”, completou.

 

A presidente do CFESS, Josiane Soares enfatizou o significado do congresso. “O significado da ‘virada’ do Serviço Social será aqui relembrado, assim como sua importância histórica. Mas a intencionalidade desse tema foi reafirmar sua atualidade e jogar luzes para o futuro. Mais do que nunca, precisamos ficar do lado dos/as trabalhadores/as desse país”, conclamou. A conselheira enfatizou que a categoria de assistentes sociais seguirá dizendo “Basta!” à violência contra pretos e pretas desse país, contra os povos indígenas, aos crimes ambientais, à retirada de direitos da classe trabalhadora. Diremos basta de neoliberalismo”, bradou a presidente do Conselho, declarando abertos os trabalhos do 16º CBAS.

 

Por fim, a conselheira do CFESS também fez o lançamento da Agenda Assistente Social 2020, que já está disponível para aquisição nos CRESS de todo o Brasil (clique aqui, conheça a publicação e saiba como adquirir seu exemplar).

 

Entidades internacionais se manifestam

Ainda na abertura, a organização do evento leu comunicados da Federação Internacional de Assistentes Sociais (Fits) e da Associação Latino-Americana de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (Alaeits), que declaram, respectivamente, que o CBAS “vem fortalecer o projeto coletivo do Serviço Social brasileiro e latino-americano”, bem como “fortalecer as articulações nacionais, regionais e mundiais, a favor de sociedades mais justas, inclusivas e garantidoras dos direitos humanos”.

 

A mesa de abertura composta por Esther Lemos (Abepss), Josiane Soares (CFESS), Rafaela Câmara (CRESS-DF) e Larissa Jesus (Enesso)

 

Os 40 anos da “virada” do Serviço Social: conquistas e desafios

Personagem  que participou ativamente da renovação crítica do Serviço Social, atualmente professora visitante da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a assistente social Marilda Iamamoto deu início à conferência 40 anos da “virada” do Serviço Social no Brasil: historia,  atualidade e seus desafios!.

 

A professora salientou alguns dos principais desafios que unem assistentes sociais na conjuntura atual: somar esforços contra a privatização da política publica e o desmonte da seguridade social estatal; apoiar o fortalecimento da organização autônoma dos/as  trabalhadores, na defesa do trabalho digno, contra todas as formas de violência. “Nesses tempos adversos, nós, assistentes sociais, somos desafiados/as a realizar nosso trabalho com qualidade, na dimensão educativa, fortalecendo a dimensão coletiva das lutas sociais. Ninguém solta a mão de ninguém!”, advertiu Iamamoto.

 

Em sua fala, a professora situou o papel do Serviço Social na história, na relação com as classes e com o  Estado, fazendo um chamamento à resistência coletiva. A professora também relembrou a conjuntura e  articulações do 3º CBAS, em 1979. “Naquela época, a ruptura com o conservadorismo, com o assistencialismo, com a benemerência teve uma organização prévia de 22 entidades sindicais, que se envolveram na luta contra a ditadura e pela anistia. Data desse período nosso reconhecimento como trabalhadores/as assalariados/as, como parte da prática social e coletiva de grupos com interesses contraditórios na sociedade. Hoje, nosso desafio é transformar resistências isoladas em movimentos de massa, única condição de combater o desmonte e a retirada de direitos que presenciamos, garantindo a hegemonia do projeto ético-político”, concluiu.

 

Marilda Iamamoto relembrou os marcos históricos que antecederam a 'Virada'. Uma aula sobre a profissão 

 

Com uma apresentação repleta de imagens e dados históricos, a professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Ivanete Boschetti relembrou a luta de mulheres, homens, assistentes sociais, estudantes, que se insurgiram à época do 3º CBAS, garantindo a “virada” do Serviço Social na direção de um outro projeto de sociedade, apresentando uma foto da mesa do evento, com uma faixa que trazia a mensagem: “Todos os trabalhadores brasileiros, aqueles que lutaram e morreram pelas liberdades democráticas”.

 

Além de um resgate histórico da resistência de trabalhadores/as (incluindo-se os/as assistentes sociais) no período 1979-2019, passando pela aprovação da Constituição Federal de 1988, a professora ressaltou o início do longo processo de contrarreformas sociais, que perdura ainda hoje no país. “Com Collor presidente, o Serviço Social seguiu firme, atento e forte na defesa dos princípios e valores do projeto ético-político, formulando o novo Código de Ética do/a Assistente Social de 93, como importante mediação no fortalecimento das lutas sociais. Anos depois, a política de assistência social recebe atenção especial e ampliamos a atuação profissional na formulação e execução de políticas publicas, que hoje vem sendo atacadas de forma cada vez mais agressiva. Por isso, estou muito convencida de que vivemos um tempo em que só temos uma escolha: reafirmar a opção feita há 40 anos, por um projeto profissional vinculado a um projeto de uma nova sociedade, sem exploração e opressão de classe, raça e gênero.”, alertou.

 

As principais conferências do 16º CBAS são transmitidas ao vivo, pelos canais do CFESS no YouTube e no Facebook, onde também ficam disponíveis as filmagens completas. A programação do evento pode ser acessada no site oficial: www.cbas.com.br.

 

Ivanete Boschetti fez uma análise de conjuntura precisa e reforçou a urgência de mobilização para enfrentar a conjuntura de ataque aos direitos


 

Confira mais fotos do evento: 

As arquibancadas inferiores do Ginásio Nilson Nelson também ficaram cheias. Cadeiras foram colocadas na pista, próxima ao palco

 

 

CBAS é conhecimento! Estandes de livros são bastante frequentados por profissionais e estudantes 

 

 

A chegada ao 16º CBAS é sempre marcante. No credenciamento, participantes recebem instruções e a bolsa do evento, que traz uma série de materiais

 

 

Participante exibe a bolsa do 16º CBAS

 

Participante exibe a bolsa do 16º CBAS
 

Público lotou o Ginásio Nilson Nelson, em Brasília

 

 

 

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