Terça, 06 de Setembro de 2016.
Começa o 15º Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais!
Participantes gritam “Fora Temer” e falam em greve geral. Evento celebra os 80 anos do Serviço Social no Brasil
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Imagem mostra vista panorâmica do palco onde estava as palestrantes da conferência de abertura e o público ocupando grande parte do local  A conferência de abertura sobre os 80 anos do Serviço Social reuniu mais de 4 mil pessoas (foto: Diogo Adjuto/CFESS)  

 

Começou o 15º Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais (CBAS), em Olinda (PE). O evento, considerado o maior do Serviço Social brasileiro, mobiliza nesta edição ao menos 3500 pessoas, entre assistentes sociais e estudantes, para inúmeros debates sobre diversos temas que perpassam a profissão.

 

Em 2016 o Serviço Social brasileiro completa 80 anos de história e o mote do CBAS é: “com a certeza na frente e a história na mão”, parafraseando a música de Geraldo Vandré, “Pra não dizer que não falei das flores”.

 

Esta edição do CBAS está para ficar na história da profissão. A começar pelo número de participantes, um dos maiores das edições do CBAS, e que, durante a conferência de abertura, realizada na segunda (5/9), ultrapassou 4 mil pessoas, tendo em vista que foram abertas mais 1500 vagas gratuitas para este momento. Sem contar as quase mil visualizações online, já que a abertura foi também transmitida pela internet.

 

Assista a todo conteúdo da conferência comemorativa dos 80 anos do Serviço Social no Brasil

 

Este CBAS já faz história também pela quantidade de apresentação de pôsteres de congressistas: são mais de mil trabalhos, das mais diversas áreas de atuação profissional.

 

Mas, talvez, o ponto alto do Congresso está nas vozes uníssonas que gritaram, gritam e gritarão: “Fora Temer!”.

 

O CBAS é um importante momento de organização política da categoria, e a conjuntura atual, de governo ilegítimo, intenso desmonte das políticas sociais e brutais ataques à classe trabalhadora, deve conduzir a categoria a uma unidade de luta e resistência.

 

Este foi o tom da mesa de abertura do CBAS, que contou com representações das entidades organizadoras do Congresso: CFESS, CRESS-PE, Abepss e Enesso.

 

Imagem mostra painel montado com arte do CBAS, que traz elementos da cultura Pernambucana, como  uma ilustração de uma sombrinha do frevo, alguns desenhos rústicos como cordéis, casas coloridas etc.

Entrada do Music Hall, espaço onde ocorreu a conferência de abertura (foto: Diogo Adjuto/CFESS)  

 

 

“Diante deste desmonte avassalador, afirmo: não temeremos! Como diria o cantor e compositor pernambucano Chico Science, ‘a cidade não para, a cidade só cresce, o de cima sobe e o de baixo desce’. Mas esse mesmo Chico também cantava: ‘com o bucho mais cheio comecei a pensar que eu me organizando posso desorganizar, que eu desorganizando posso me organizar, que eu me desorganizando posso me organizar’. E assim será nosso CBAS de Olinda (e Recife)”, conclamou Galba Vieira, presidenta do CRESS-PE.

 

Em seguida, a representante da Enesso, Karoline Santos, enfatizou: “Repudiamos o grande ataque à democracia brasileira. Repudiamos os cortes na educação e em todas as outras políticas sociais. Repudiamos a criminalização dos movimentos sociais. Bradamos o ‘Fora Temer!’. Pelo Fora Temer e greve geral. A Enesso é para lutar”.

 

A presidenta da Abepess, Raquel Sant’Ana, encorpou o coro “Fora Temer”, destacando: “nós, assistentes sociais, vamos reforçar nossas lutas pelos direitos. Somos classe trabalhadora e temos compromisso de classe. Defendemos direitos humanos e não abrimos mão disso. Defendemos uma outra sociedade e estaremos ocupando nossos espaços, pois esse país é nosso, da classe trabalhadora!”.

 

Para fechar a mesa, o presidente do CFESS, Maurílio Matos, reafirmou a autonomia política do Congresso e das entidades de Serviço Social, ressaltando a importância disso para o fortalecimento do Projeto Ético-político profissional e para a luta da categoria. “Sempre tivemos coragem e autonomia para dizer não a esta contrarreforma das políticas sociais, não às privatizações, não à criminalização dos movimentos sociais. E este momento, de ampliação de retrocessos, não será diferente. Este CBAS é um espaço de resistência e luta. E temos também o dever de mostrar à população usuária, as pessoas que atendemos cotidianamente, os impactos das propostas deste governo ilegítimo. Por isso, a palavra de ordem é: sou assistente social, é fora temer e greve geral!”, enfatizou.

 

 

Conferência “80 anos do Serviço Social no Brasil”

O primeiro dia de CBAS teve também a conferência que dá o tom do evento: os 80 anos do Serviço Social no Brasil. Ana Elisabete Mota (professora da UFPE) e Marilda Iamamoto (professora da UERJ) falaram da história da profissão, dos rebatimentos da conjuntura no exercício profissional e desafios da categoria pela defesa dos direitos da classe trabalhadora.

 

“Presenciamos nos últimos meses a judicialização do poder, o agressivo desmonte das políticas sociais. Mas a nossa resposta á crise será: nenhum direito a menos”, disse Ana Elisabete Mota.

 

Segundo ela, o que houve nos últimos tempos foi a capitalização dos serviços para expropriação da classe trabalhadora. “A direita precisava concluir a sua ‘reforma liberal’ puro sangue do estado e foi isso que assistimos com esse ‘golpe’ na democracia. Sem dúvida alguma, isso já está trazendo impactos ao exercício profissional de assistentes sociais e a toda população”, analisou.

 

Ainda para a professora da UFPE, o momento exige da categoria o enfrentamento da agenda regressiva em “organicidade com os setores da esquerda” e, principalmente, a retomada da pedagogia das classes subalternas. “Nos últimos anos criou-se novos ‘consumidores’, mas não se criou novos sujeitos políticos. Temos que construir a pedagogia das classes subalternas, baseada na emancipação humana e justiça social”, destacou.

 

Para finalizar, Ana Elisabete Mota reforçou o que ela defende como papel do Serviço Social brasileiro. “Nossa profissão não se restringe mais a uma intervenção imediata e deve continuar caminhando para a insurgência contra o ‘lugar definido’. A construção do nosso Projeto Ético-político contribuiu para consolidação de ideologias e ideário marcado por princípios e valores que fundamentam e articulam a profissão e realidade. Em momentos de regressão, precisamos acumular forças e redefinir meios e modos para encontrar uma unidade de esquerda. Não devemos ceder às armadilhas das classes dominantes!”.

 

Imagem mostra palestrantes na conferência sobre os 80 do Serviço Social no Brasil.

À direita, Marilda Iamamoto, e na outra ponta,  Ana Elisabete Mota (foto: Diogo Adjuto/CFESS)  

 

 

A professora Marilda Iamamoto reforçou a crítica ao momento que o país vive. “Se vivemos tempos intempestivos e temerários, vivemos também tempos de organização e luta. Repudiamos o golpe e a superexploração do trabalho”. Nesse sentido, segundo ela, é preciso avançar na direção de um projeto para o Brasil apoiado em uma frente de esquerda, classista e fundada na dimensão do trabalho. “Atribuir densidade à luta requer uma profissão inscrita no Brasil”, completou.

 

Segundo Iamamoto, o trabalho de assistentes sociais sofre uma importante pressão das necessidades dos trabalhadores e trabalhadoras organizados, cujas “demandas sociais se transformam em demandas profissionais”. Assim, a possibilidade de imprimir uma direção ao exercício profissional, fundada em uma relativa autonomia, dependerá da correlação de forças nos espaços institucionais.

 

Ao fazer um breve histórico da profissão, Marilda relembrou a influência religiosa no Serviço Social em seus primórdios no Brasil, enfatizando a necessidade de se respeitar o caráter laico que a profissão adquiriu ao longo de sua história.

 

Além disso, a professora da UERJ enfatizou que assistentes sociais devem ultrapassar a leitura da população enquanto mera usuária de políticas sociais. “É hora de acumular forças nos campos teórico e político e soldar as forças progressistas. Estamos falando do retorno ao trabalho de base, da organização política das pessoas. É avançarmos na dimensão educativa, coletiva contra-hegemônica”, encerrou.

 

Após a conferência, houve um momento de confraternização para o público do CBAS.

 

Imagem mostra visão do espaço onde foi realizada a abertura do CBAS

A categoria atendeu ao chamado das entidades representativas para o CBAS (foto: Diogo Adjuto/CFESS)  

 

 

Plenárias simultâneas, sessões temáticas, apresentação de pôsteres e lançamentos de livros

Já na terça-feira (6/9), a programação do Congresso contou com plenárias simultâneas, com os seguintes temas: A constituição do território e a (in)sustentabilidade ambiental na configuração de crise do capital; As configurações da política de saúde na atualidade e as repercussões no trabalho profissional de assistentes sociais; O serviço social no sociojurídico: requisições conservadoras e práticas de resistência; A importância dos movimentos sociais na materialização das políticas sociais: o trabalho do assistente social frente às demandas da classe trabalhadora.

 

Na parte da tarde, foi a vez das sessões temáticas e apresentação de pôsteres com os seguintes temas: Serviço social, Fundamentos, Formação e Trabalho Profissional: Precarização da Formação Profissional; Questões agrária, urbana, ambiental e serviço social; Política Social e Serviço Social: Reflexão crítica sobre os espaços de Controle Social; Serviço social, Relações de exploração/opressão de gênero, raça/etnia, Geração e sexualidades: Genocídio da População Negra; Envelhecimento na sociabilidade do capital; Trabalho e Formação profissional: os desafios do Estágio Supervisionado.

 

Ao final do dia, aconteceu a sessão de lançamento de livros, espaço clássico do CBAS para apresentação de obras na área de Serviço Social.

 

Imagem mostra plenária cheia de pessoasAs plenárias também mobilizaarm o público (foto: Diogo Adjuto/CFESS)  

 

Serviço Social, Memórias e Resistências contra a Ditadura

Também na terça, aconteceu o lançamento da exposição Serviço Social, Memórias e Resistências contra a Ditadura, que resgata depoimentos de assistentes sociais que lutaram pela democracia durante o regime militar. Em breve, o CFESS divulgará mais informações sobre este espaço no CBAS que vem emocionando as pessoas que passam pela mostra.

 

Imagem mostra participantes na exposição sobre o serviço social e a ditadura militar. Os painéis trazem imagens que remetem à ditadura e textos de assistentes sociais que lutaram pela democracia

A exposição tem emocionado o público participante do CBAS (Diogo Adjuto/CFESS)  

 

Grito dos/as Excluídos

O CBAS vai compor também a edição pernambucana do ato nacional Grito dos\as Excluídos, que acontece nesta quarta-feira (7/9) em todo o Brasil, e é considerado um espaço histórico de defesa da democracia, resistência aos retrocessos no campo dos direitos humanos, sociais e trabalhistas, contra o feminicídio e homofobia/lesbofobia/transfobia,  contra a exploração infantil, o extermínio da juventude pobre e negra e pela democratização da mídia.

 

Assistentes sociais e estudantes de Serviço Social vão às ruas, juntamente com movimentos populares, reafirmando o seu compromisso ético político na defesa de uma outra sociedade, “na qual a riqueza produzida seja socialmente partilhada e mulheres e homens sejam livres de todas as formas de opressão e exploração”.

 

O tema do ato será: “Este sistema capitalista é insuportável: exclui, degrada e mata!”. Participe!

Concentração: dia 7/9, quarta-feira, a partir das 9h, na Praça do Derby, Bairro Derby, Recife (PE).

 

Clique aqui e assista ao vídeo da professora Annamaria Campanini, presidente da Associação Internacional de Escolas de Serviço Social (sigla em inglês IASSW), em saudação aos/às participantes do 15º CBAS

 

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